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A
Pedal Center não se responsabiliza por alterações
na trilha ocorridas depois da publicação deste roteiro.
A exatidão dos pontos de referência era a melhor possível
por ocasião da publicação, mas não implica
em responsabilidade de nossa parte quanto a exatidão. Informe-se
ANTES de entrar na trilha.
Utilize
este roteiro como fonte de inspiração mas não como
única fonte de informação.
A terceira
montanha mais alta do Brasil. Talvez resida, neste detalhe, o maior
charme do Parque Nacional do Caparaó, situado entre o Espírito
Santo (70%) e Minas Gerais (30%). Mas ela já ocupou o posto número
um pois, desde a década de 60 do século passado, imaginava-se
que o Pico da Bandeira era o cume mais alto do Brasil. Com a descoberta
do Pico da Neblina e seu vizinho 31 de Março, a montanha caiu
de posto mas não perdeu nada de sua beleza. O parque é
composto de Mata Atlântica e Campos de Altitude, oferece um visual
grandioso e muitos rios e cachoeiras para banho. A facilidade em alcançar
este cume de 2.890 m. de altitude faz com que ele seja procurado por
muitos visitantes despreparados, inclusive alguns usando chinelos e
shorts. Vale a pena lembrar que, por mais “simples” que
seja a caminhada final, com cerca de duas horas e meia de subida por
trilhas muitas vezes íngremes, ainda se trata de um ambiente
montanhoso, com todas as agruras da natureza, e podendo ser extremamente
frio, além da exposição em determinados trechos.
Esteja bem preparado e aproveite, ainda mais, este belíssimo
parque.
O que fazer?
Comece pelo Vale Verde, a 600 m da portaria do parque e 997 m. de altitude,
situado à beira do rio Caparaó, com muitos poços
e piscinas naturais ideais para banho – são mais de 100
nascentes que formam rios de pequeno e médio porte, resultando
em cachoeiras de até 80 metros, como a Bonita. Mais adiante,
a Tronqueira, 1.970 m., é um mirante com vista para todo o vale
do rio Caparaó e é o último ponto acessível
por carro. A cachoeira Bonita fica nas redondezas. Um pouco mais à
frente, está o Vale Encantado, 1.980 m., e o Terreirão,
2.370 m., última área de camping antes do Pico da Bandeira
. Tem um camping novo em Casa Queimada e eles estão construindo
outro em Macieira, que deve estar pronto em julho/02 . A partir daí,
uma trilha curta mas íngreme leva ao cume do Pico da Bandeira,
em cerca de 2hs de caminhada (cerca de 4 hs ida e volta).
Sugestão
de passeios em dois dias compridos ou três curtos:
Dia 1
Partir da portaria Alto Caparaó às 8 horas, caminhar até
o camping Tronqueira e almoçar lá (a vista aqui é
maravilhosa! Aproveite-a...), com tempo para tomar banho na cachoeira
Bonita ou no Vale Encantado. Continuar para o camping Terreirão
(1h30), onde você irá passar a noite (é a nossa
sugestão por ser mais tranqüilo e ter menos gente, além
de ser mais perto do Pico da Bandeira).
Dia 2
Acorde de madrugada, às 3, 4 hs, e comece a caminhar logo, para
chegar ao cume em tempo de ver o nascer do sol. Leve apenas uma mochila
de ataque com anoraque, luvas (se você é friorento), chapéu,
lanche e água. Siga as marcas amarelas à luz de sua lanterna
frontal (não esqueça de levar pilhas extras!) e em mais
o menos 2 hs você estará no cume (lembre-se que avançar
no escuro é muito mais difícil e perigoso do que na luz
do dia!). Depois da Bandeira, se o tempo estiver bom, pode subir o Cristal
(cerca de 1h30 do Pico da Bandeira) ou descer a trilha marcada com marcas
brancas (preste atenção! Pois esta trilha está
marcada errada no mapa do parque) até o camping da Casa Queimada,
faça um lanche por lá e volte ao camping Terreirão
pela mesma trilha.
É
possível continuar da Casa Queimada para Macieira, mas é
por estrada de terra, o que o torna desinteressante, além de
descer muito, exigindo uma volta bastante cansativa para o Terreirão...
– se você vai fazer isto, levará três dias
ao todo.
No Terreirão,
faça a mochila e volte descendo para a portaria (cerca de 3,
4 horas) ou passa mais uma noite por lá, descansando e voltando
no próximo dia.
Atenção!
A opção de dois dias é longa e cansativa, especialmente
no segundo e, por isso, só é recomendada para trekkers
com boa condição física
Fauna e
Flora
Com vegetação bastante variada, possui Mata Atlântica
em sua parte mais baixa e campos rupestres na parte alta. A fauna é
muito rica, com alguns exemplares de pequeno porte como gambá,
cachorro-do-mato, guaxinim, quati e gato-do-mato. Ainda existem exemplares
de onça-parda, jaguatirica e onça pintada. Siriema, gavião
e gavião-carijó são algumas das aves presentes
na região.
Como chegar?
A partir de Belo Horizonte ou Vitória, BR 262. Depois, MG 111
até Manhumirim e Alto Jequitibá, mais 11 km por asfalto
até Alto Caparaó, a 4 km do parque. Pode-se pegar um ônibus
até Manhuaçu ou Manhumirim e outro até Presidente
Soares (Alto do Jequitibá). Depois, um para Alto Caparaó
(apenas dois ônibus por dia faz o trajeto Manhuaçu-Alto
Caparaó, via Manhumirim e Presidente Soares). Neste caso, caminha-se
cerca de 3 hs por estradas de terra até a área de camping,
onde pode-se chegar de carro também.
Infra-estrutura
O parque abre diariamente das 6h30 às 22 hs e os ingressos custam
R$ 3,00. Possui centro de visitantes, alojamento para pequenos grupos
e áreas para camping. Tel. para contato: (33) 343.1200. Lembramos
que a administração do parque se reserva o direito de
checar carro e mochilas dos visitantes, em busca de facões, bebidas
alcoólicas e armas, que serão devolvidos na saída.
Mapa: folha
1/50.000 de Manhumirim-MG (eventualmente a folha de Espera Feliz).
Grau de
dificuldade: pesada
Obs.: O grau de dificuldade é definido por uma escala simples
com apenas três “tipos” de caminhada: leve, semi-pesada
e pesada. Este grau, como qualquer graduação, é
subjetivo mas leva em consideração o percurso, o ganho
de altitude em um dia, a distância percorrida, etc. Lembre-se
que uma caminhada pode ser pesada mesmo sendo feita em apenas um dia...
Bem como pode ser leve, mesmo sendo feita em vários dias curtos
e planos...
Requisitos
Necessários para se fazer esta trilha:
• Conhecimento do local – claro que você não
conhece todos os lugares que pretende trilhar. Por isto, estar acompanhado
de um guia experiente é fundamental . Tenha certeza de que o
grupo possui um mapa e uma bússola e todos sabem usá-lo.
E, lembre-se: GPS sem mapa não funciona! (Sem pilhas também
não...)
• Um bom equipamento – certifique-se que você possui
um anorak impermeável, uma boa barraca, saco de dormir para temperaturas
baixas e um isolante, uma boa bota já amaciada, lanterna e pilhas
extras, fogareiro etc.
• Preparo físico e psicológico – mais do que
estar preparado fisicamente, tenha certeza de que está preparado
psicologicamente para as durezas da vida ao ar livre. Ficar dois ou
três dias sem tomar banho pode ser desconfortável para
a maioria das mulheres, por exemplo. Carregar uma mochila mal ajustada
e pesada além do necessário também pode ser desconfortável
para a maioria das pessoas. Mas, se você está preparado
psicologicamente, não descuide do físico – ele fará
toda a diferença no final de um longo dia!
Material
indispensável:
• Mapa e bússola
• Barraca para duas ou três pessoas – dividir o peso
entre os usuários é o ideal, não sobrecarregando
ninguém. Tenha certeza de que ela agüenta chuva ou, se não,
trate-a com um impermeabilizante Nikwax.
• Isolante térmico e saco de dormir
• Mochila cargueira de, no mínimo, 55 litros.
• Mochila de ataque com cerca de 30 litros, para levar o mínimo
necessário para o dia de cume e, também, para caminhadas
de um dia pelo parque (tenha SEMPRE anoraque, lanterna e pilhas extras,
água, algum lanche, mapa, bússola)
• Fogareiro e panelas, com combustível suficiente para
todas as refeições – também dividir entre
os usuários da mesma barraca, bem como as comidas.
• Lanterna com pilhas extras
• Anorak
• Comida para todos os dias + um – levar demais é
peso extra. Levar de menos é fome na certa. Seja equilibrado.
Não deixe faltar nem sobrar e procure levar coisas leves e energéticas
como castanhas e nozes, frutas secas, macarrão e sopas etc.
• Roupas extras quentes e secas embaladas individualmente em sacos
plásticos, para conservá-las longe da umidade. Lembre-se
que, mesmo estando no Brasil, o frio pode matar (hipotermia). A temperatura
no inverno pode chegar facilmente a alguns graus abaixo de zero (você
estará acima dos dois mil metros de altitude a maior parte do
tempo).
• Uma boa bota de caminhada, de preferência com o cano alto,
para protegê-lo de torções (muito freqüentes
quando estamos cansados). E devidamente tratada com Nikwax (impermeabilizante).
• Boas meias – use uma fina por baixo e outra mais grossa
por cima, protegendo seu pé de indesejáveis bolhas (enquanto
uma meia roça na outra, o seu pé fica longe dos atritos
que causam as bolhas). Não esqueça de tirá-la no
final do dia para secar para o dia seguinte. Procure aplicar um talco
e/ou álcool em gel para limpar os pés após o longo
dia de caminhada, assim que chegar em cada acampamento, livrando-se
de fungos e bactérias.
• Bastão de caminhada – este não é
um item indispensável, mas ajudará muito especialmente
no começo e no fim da travessia, onde as subidas são muito
íngremes, as decidas são exigentes e a vegetação
aberta permite o uso dos bastões. Seus joelhos agradecerão!
• Procure usar roupas de tecidos sintéticos como capilene,
dry fit, tactel, suplex e similares. Eles secam rápido, afastam
o suor do contato com o corpo (o que permite fazê-lo sentir-se
sempre “seco”) e são muito leves, ideais para qualquer
clima. Uma dica: quer secá-lo durante a noite? Guarde-o dentro
do saco de dormir. O calor do seu corpo se encarregará do resto
(o mesmo vale para as meias de material sintético). Mas não
tente fazer isto com roupas de algodão! Além de não
secar, ainda deixarão uma desconfortável sensação
de umidade durante toda a noite...
• Um bom estojo de primeiros socorros – leve apenas aquilo
que sabe usar e não esqueça que, mais importante que socorrer,
é não piorar o estado da vítima.
• Telefone celular – mantenha-o desligado para não
gastar a bateria e, em caso de emergência, tenha em mãos
telefones úteis, principalmente o do Parque Nacional do Caparaó.
Avise ao menos uma pessoa da família ou amigos para onde você
está indo, que trilha pretende fazer e quando pretende voltar.
Em caso de resgates, estas informações serão valiosas...
Lembre-se:
• Esteja acompanhado de guias experientes e pessoas conscientes
. Só o tempo e a exaustiva repetição dos procedimentos
de segurança te farão um experiente montanhista. Não
existem cursos que ensinam o que a vivência e o tempo fará...
• Tenha mapas da região e bússola mas tenha certeza
de que sabe usá-los corretamente!
• Prepare a mochila corretamente – leve o suficiente para
não te fazer sofrer muito, cheia o suficiente para te garantir
autonomia em caso de tempo ruim e com comida e combustível para
pelo menos um dia a mais que o programado.
• “Não deixe rastros” – procure não
deixar indícios da sua passagem pelas montanhas e, se possível,
leve isto às últimas conseqüências... Assim,
tudo o que você levou, traga de volta!
• Não deixe de trazer inclusive as cascas de frutas e papel
higiênico usado, pois eles também poluem, inclusive visualmente
– mesmo sendo biodegradável. Além do mais, no caso
das frutas, você poderá estar introduzindo espécies
que não pertencem ao ecossistema por onde você está
passando.
• Trate a água que for beber.
• Não ande fora das trilhas e evite ao máximo os
atalhos. Eles provocam erosão...
• Enterre as fezes a pelo menos 15 cm do chão e a mais
de 40 metros de um curso d'água.
• Não faça muito barulho e respeite a lei do silêncio
nos acampamentos.
• Se alguém não tem experiência no grupo,
seja responsável também pela formação desta
pessoa, ensinando-a regras de ética e boa conduta no mato.
• Saiba como proceder em caso de tempestades elétricas
– muito comuns principalmente no verão e, claro, extremamente
perigosas.
• A aventura não está em sair de casa desprevenido,
mas em voltar com segurança!
• Ajude a preservar o que é de todos, para que dure muitos
anos mais...
• A Pedal Center não se responsabiliza
por alterações na trilha ocorridas depois da publicação
deste roteiro. A exatidão dos pontos de referência era
a melhor possível por ocasião da publicação,
mas não implica em responsabilidade de nossa parte quanto`a exatidão.
Informe-se ANTES de entrar na trilha.
• Utilize este roteiro como fonte de inspiração
mas não como única fonte de informação.
• Boas Trilhas...
Leitura
Sugerida:
• Caminhos da Aventura – Sergio Beck
• Livro de Aventura do Excursionista Decidido – Sergio Beck
• Livro de Orientação do Excursionista Perdido –
Sergio Beck
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