Parque Nacional da Tijuca
 

A Pedal Center não se responsabiliza por alterações na trilha ocorridas depois da publicação deste roteiro. A exatidão dos pontos de referência era a melhor possível por ocasião da publicação, mas não implica em responsabilidade de nossa parte quanto a exatidão. Informe-se ANTES de entrar na trilha.

Utilize este roteiro como fonte de inspiração mas não como única fonte de informação.

O Parque Nacional da Tijuca divide a cidade do Rio de Janeiro ao meio e é composto pelas serras da Tijuca e da Carioca. Hoje relativamente preservado, já sofreu com o desmatamento para plantio de café, no século XIX, quando a cidade que crescia ao pé destas montanhas começou a sofrer com a falta d'água. Após alguns anos, decidiram por reflorestar a área, obra conduzida pelo Major Archer e alguns poucos escravos em 12 anos de trabalho. Algumas espécies novas foram introduzidas mas, em sua maioria, o replantio privilegiou mudas de plantas originárias da Mata Atlântica. O Major Archer se preocupou em manter várias trilhas abertas e, algumas delas, ainda estão em funcionamento.

Tijuca é uma palavra de origem indígena e significa picada, caminho ou estrada que leva ao mar. Coincidência ou não, o fato é que o parque oferece muitas trilhas ideais para quem está começando a caminhar em ambientes naturais. São fáceis, curtas e bem sinalizadas, ou seja, são de fácil orientação e oferecem o prazer de uma caminhada bonita, sem maiores dificuldades e obstáculos. No entanto, não esqueça que caminhar em trilhas exige algum preparo, por menor que seja ele. Se você já está acostumado a dar suas caminhadas matinais e quer partir para outra experiência, esteja consciente de que os primeiros dias exigirão um pouco além do usual (gasta-se, em três horas de caminhada no plano, cerca de 900 calorias. Este mesmo tempo em trilhas exigirá o consumo de quase 3.000 calorias!).

Mas não pense que o parque não oferece boas opções para os mais experientes! Já foram catalogadas 91 trilhas ecológicas e 20 caminhos coloniais. Portanto, se tiver disposição e alguma experiência em ambientes naturais, existem vários circuitos de um dia, com mais de um cume no trajeto. Para os muito experientes, conhecedores de navegação e orientação por mapas cartográficos e em ótima forma física, existem circuitos de 14 horas ou mais, percorrendo quase todos os cumes presentes nesta área do parque.

O Parque Nacional da Tijuca, com 32 km 2 , ainda sofre bastante com a proximidade da imensa cidade que o circunda. Seja também responsável pela sua preservação e, ao visitá-lo, traga todo o seu lixo de volta, não destrua a natureza, não faça fogueiras nem cace animais, não tire mudas de plantas e respeite as trilhas, evitando os atalhos. Não esqueça que seu grupo é também sua responsabilidade e certifique-se que todos estão respeitando o meio-ambiente. Não deixe de denunciar caso veja alguma irregularidade dentro do parque.

Abaixo descrevemos alguns roteiros curtos e tradicionais do parque e arredores, oferecendo vistas de tirar o fôlego e, em geral, ideais para os iniciantes. Algumas delas exigem um pouco mais de experiência, mas nem por isso devem ser desconsideradas. Comece com as mais fáceis e, aos poucos, vá colocando ingredientes como exposição, uso de mãos, uso de mapas e um bom senso de direção (navegação por mapas e bússola) etc. Informe-se, antes, quanto à segurança do local que escolheu para trilhar. E boas trilhas...

Trilhas que se iniciam dentro do Parque Nacional da Tijuca, no Alto da Boavista:
Pico da Tijuca – com 1.022 m. de altitude, é o segundo mais alto do município e só perde em tamanho para o Pico da Pedra Branca, situado no maciço de mesmo nome, com 1.024 m. Esta trilha já existia em 1853 e, em 1885, já se encontrava sinalizada para excursionistas. Apesar do imponente título de montanha mais alta do parque, sua caminhada é perfeita para o iniciante e não oferece maiores desafios, mas descortina a paisagem da cidade maravilhosa logo que se sai da floresta e se chega à escadaria construída no governo do Presidente Washington Luís, em 1920, com 117 degraus escavados na rocha e correntes de ferro que servem de corrimão até quase o cume, feitos para recepcionar o rei Alberto, da Bélgica, um entusiasmado montanhista. O cume oferece uma ampla vista para todos os lados da cidade. O início da caminhada é no Bom Retiro, dentro do Parque Nacional da Tijuca (Praça Afonso Vizeu, s/n, Alto da Boa Vista) que conta com um estacionamento, precários banheiros e áreas para churrasco e lanches. Não precisa dizer que esta é a trilha mais visitada de todo o parque e, atualmente, guardas anotam o nome do responsável pelo grupo e o número de pessoas que estão subindo, orientando minimamente o excursionista. Esta simples prática e a sinalização da trilha, incluindo o fechamento dos atalhos, praticamente acabaram com os casos de pessoas perdidas na floresta. Tempo de duração: 1h30 a 2hs (ida e volta).
Grau de dificuldade: leve

Tijuca Mirim – já que você está no Pico da Tijuca, vale uma rápida passada por este simpático cume, situado pouco abaixo dele (917 m.) e apenas a alguns passos de distância... Se você está na escada escavada na rocha, volte pela trilha e fique atento a uma bifurcação para a sua direita (para quem desce. Esquerda, para quem sobe). Você irá subir um pouco e, logo (uns cinco minutos apenas), atingirá este cume, que oferece bonita vista para a densa mata embaixo, em direção à Baia de Guanabara e, para o outro lado, um perfeito ângulo para fotografar o trecho final da subida do Pico da Tijuca, a histórica escada. Ele é pouco freqüentado e não tomará mais do que meia hora além do tempo já cronometrado para subir o Tijuca.
Grau de dificuldade: leve

Bico do Papagaio, Cocanha e Serrilha – a saída para esta excelente caminhada é no mesmo Bom Retiro, onde se parte para o Pico da Tijuca e Tijuca Mirim. Pouco depois do início da trilha, uma bifurcação sinalizada oferece as duas possibilidades: Papagaio, com 989 m. de altitude, ou Tijuca. Esta trilha é linda mas mais exigente que a outra. No entanto, todo esforço vale a pena pois é considerada por muitos a vista mais bonita do parque. Ao chegar em um colo, a trilha se bifurca.

A da esquerda leva à Cocanha , com 982 m. de altitude, e oferece um trecho bastante íngreme, seguido de uma descida após chegar a um platô, nova subida até chegar a uma pedra, que deve também ser subida, de onde já temos uma vista maravilhosa. Vá até o fim da rocha e vire à direita, caminhando mais um pouco até chegar ao cume. Tempo de duração: cerca de 1h30 (ida e volta, pelo mesmo caminho). Você também pode voltar até o colo e seguir para o Papagaio.
Grau de dificuldade: semi-pesada

A trilha da direita leva ao Papagaio e é uma subida longa, oferecendo algum trabalho para os braços também, com trechos íngremes, cheios de raízes e algumas rochas. Mais uma bifurcação e, seguindo à esquerda (o caminho mais aberto), chegará em um paredão de rocha que deve ser contornado pela direita, subindo um caminho que está no meio de dois blocos de pedra. Este é o cume secundário e, para atingir o cume principal, precisará do uso de equipamentos de escalada. Mas, para vislumbrar a cidade, nenhum esforço adicional é necessário. Se você decidir voltar daqui, o tempo total deverá ser de 1h30 a 2hs.
Grau de dificuldade: semi-pesada

Descida pela Serrilha – optar por esta decida é, na verdade, fazer um circuito, não repetindo parte do trajeto de subida para o Bico do Papagaio. No entanto, ela exige alguma experiência e técnica de caminhada em trilhas, com partes expostas e o uso das mãos. Mais do que isso, oferece um trecho intransponível para quem tem vertigens. E, para desanimá-lo ainda mais – ou não! –, a orientação é difícil. Do cume do Papagaio, desça até o paredão de rocha que você acabou de contornar pela direita, quando subia. Logo depois dele, descendo, tem uma pedra com uma árvore em “v”. Pegue, aqui, a trilha que vai pela direita, contornando o paredão pela direita de quem desce, por uma trilha estreita e difícil. Esta trilha sobe um pouco, sempre contornando o Bico do Papagaio até chegar a uma fenda entre duas rochas, chegando ao ponto mais delicado e exposto deste caminho: um pequeno “túnel” de uns 50 metros conhecido como Passagem do Inferno, que exigirá que você passe agachado. No final do túnel, desça à esquerda da rocha chegando a um desnível de uns três metros, que exige cuidado e alguns movimentos de escalada (estas trilhas são bastante usadas e você saberá que está no local certo por causa das rochas gastas nestas passagens). Pegue a trilha da direita assim que chegar ao chão, entrando na mata. Primeira bifurcação, esquerda. Esta trilha pode estar um pouco fechada e exigirá faro de montanhista para encontrá-la. Caminhe até uma pedra, dobre à esquerda e logo à direita, chegando em um paredão de rocha que deve ser contornado, descendo pela esquerda (trecho íngreme). Siga junto à pedra e logo voltará a subir. Dobre de novo à direita e logo chegará à Ponta do Urubu, um mirante de 983 m. que oferece uma vista espetacular do Bico do Papagaio.

Volte até onde você virou para chegar ao mirante e continue até contornar outra pedra que estará à sua direita. Suba até alcançar o topo do morro. Você estará caminhando por uma cumeeira, o que significa trilha relativamente plana. Na bifurcação, vá pela direita (reto) e logo começará a descer bastante. Depois de alguns minutos, ela voltará a subir, te levando para o topo de um morro, antes de voltar a descer. Um trecho em rocha exige o uso das mãos. Preste especial atenção à saída dele, pois a trilha pode estar tomada pelo mato. Você está, de novo, na cumeeira, passando logo em seguida por um paredão de rocha que ficará à sua esquerda. Contorne-o, descendo. Outro trecho, dessa vez subindo, exigirá o uso das mãos. Siga a trilha para a direita até o platô, que está a 957 m. e chama-se Alto da Serrilha do Papagaio.

A partir daqui, siga pela cumeeira, vendo o Pico da Tijuca na sua frente e o vale do Rio das Pacas à sua esquerda. Desça mais um paredão, usando novamente as mãos, para voltar a caminhar pela cumeeira, no meio de samambaias. A trilha segue pela direita, descendo um pouco. Na primeira bifurcação, siga pela direita e desça até uma encruzilhada com três opções. Escolha a do meio (em frente ou reto), que ainda te levará pela cumeeira até se orientar pela direita e começar a descer abruptamente. A descida é longa e exige o uso das mãos. Passe por um bambual, continue descendo até uma depressão e caminhe uns 50 metros no plano, tornando a descer. Na próxima bifurcação, pegue à direita até chegar a mais uma encruzilhada com três opções, pegando a do meio (em frente ou reto). Pronto. Agora você está em terreno conhecido, repetindo esta parte da trilha que já usou para subir, com mais um trecho íngreme e logo chegando ao Rio das Almas, à sua direita. O final da trilha está bem próximo, no Bom Retiro, também o ponto de partida. Tempo de descida desde o Papagaio: cerca de 1h45 a 2hs. Lembre-se que a orientação é difícil e que partes expostas podem ser intransponíveis para quem tem muito medo de altura ou sofre de vertigens.
Grau de dificuldade: semi-pesada, sendo que de difícil orientação.

Pedra do Conde – com 821 m. de altitude, a Pedra do Conde tem este nome em homenagem ao Conde Gestas, que possuía uma fazenda no local. A caminhada começa na Capela Mayrink, descendo pela escadinha que tem à direita, perto do asfalto, pouco antes de chegar à igrejinha. Siga por um caminho pavimentado, cruze uma ponte e suba alguns degraus do outro lado. Este lugar é conhecido como playground e a trilha começa do outro lado de sua chegada, atrás de um conjunto de mesas feitas de pedra, à direita da churrasqueira (a trilha é um pouco fechada. Se você estiver na trilha à esquerda da churrasqueira, que segue beirando o rio, volte. Está na trilha errada!). O caminho é em ziguezague, com uma curva de 180 o para a esquerda a poucos minutos do início da caminhada. Durante um bom tempo não terá nenhuma encruzilhada no caminho e, quando aparecer, será uma tripla. O caminho correto é o da esquerda (de novo, 180 o ). Se você quer ir até o Alto da Bandeira, a opção é o caminho da direita. Seguindo para o Conde, na próxima encruzilhada siga em frente. Logo será possível ver a Cocanha, Papagaio e Tijuca. Continue em frente. Aqui, a trilha fica plana por um tempo para depois subir ligeiramente e, pouco mais a frente, ficar íngreme. Mais uma bifurcação, onde também deverá ser tomado o caminho da esquerda e, na próxima, deve-se optar pela direita (180 o ). Suba em ziguezague um trecho íngreme, dobrando novamente à direita e logo chegando a um local onde já é possível avistar a zona norte da cidade. Daqui até o cume, a trilha se torna bastante íngreme, onde é necessário usar também as mãos. Na bifurcação seguinte, siga à direita e você já está no cume. Tempo total: 1h30 a 2hs30.
Grau de dificuldade: semi-pesada

Trilha que se inicia no Parque Lage, Jardim Botânico:
Parque Lage – Corcovado – esta é uma daquelas caminhadas clássicas do Rio de Janeiro, pela beleza que proporciona ao chegar, caminhando, em um dos cartões postais da cidade e por sair de um local tão acessível como o Parque Lage. Está dentro do Parque Nacional da Tijuca, mas não exige que se vá até a sede do parque, situada no Alto da Boa Vista. O começo e, provavelmente, o final será no Parque Lage, que está na Zona Sul do Rio, no bairro do Jardim Botânico. A subida é bastante íngreme, exigindo o uso das mãos, e, apesar de relativamente curta, oferece um bom desnível a se vencer. Esteja com o fôlego em dia...

Esta trilha foi recuperada pelo PNT, que fechou atalhos e deixou-a um pouco mais suave. Mas não se engane! Ela ainda tem mais de 500 m. de desnível entre o início e o cume. No entanto, oferece refrescos como algumas quedas d'água (pequenas, não sendo boas para o banho), uma vegetação exuberante e até macacos, se o grupo for pequeno, silencioso e tiver um pouco de sorte. Uma vez dentro do Parque Lage, suba a estrada de paralelepípedos que fica atrás da casa principal até chegar a uma casinha abandonada, com uma placa à direita. Atrás dela está a trilha, que tem placas e marcações (setas) até o final – fique atento, pois algumas estão colocadas um pouco acima da linha do olho. Cerca de um terço da trilha é feito em uma pendente não muito íngreme, atravessando o mesmo rio pelo menos umas duas ou três vezes (ao chegar nele, procure indícios da continuação da trilha geralmente do outro lado). Os outros dois terços são bastante íngremes, sendo que o final exige o uso das mãos (um trecho, já bastante erodido, possui até uma corda fixa, obra de grupos excursionistas para preservar a vegetação e aumentar a segurança na trilha). O final dela é no trilho do trem que leva ao Corcovado. Siga para a direita, subindo o trilho. Logo chegará em um local conhecido como “Curva do Oh” e não é para menos! A paisagem é maravilhosa... Uma casinha baixa oferece um excelente local para descanso, fotos e um lanche. Mais uns dez minutos e já está na escadaria que leva à estátua. Sugerimos que a descida seja feita pelo mesmo trajeto. Se quiser descer de trem ou de táxi, leve dinheiro extra, pois qualquer meio de transporte saindo dali custa caríssimo. Tempo total: cerca de 4hs (1h30 a 2hs para subir).
Grau de dificuldade: pesada

Trilhas que se iniciam na Barrinha e na Pedra Bonita, na rampa de vôo livre:
Pedra da Gávea – esta é, talvez, uma das montanhas mais bonitas do Parque Nacional da Tijuca. Seu desenho único, parecendo formar um rosto na face voltada para São Conrado, abriga histórias e lendas sobre os fenícios, que teriam feito inscrições ali. São 842 m. acima do nível do mar e do cume avista-se a Barra da Tijuca, São Conrado, Zona Sul e o mar. Como se não bastasse, ainda temos a visão privilegiada dos vôos de asa delta e parapente, decolando da Pedra Bonita, 146 metros abaixo. Gávea é o nome do mirante que existe no topo do mastro mais alto da embarcação. Como a pedra tinha esse formato, aos olhos de navegantes portugueses, foi fácil nomeá-la.

Se a trilha não é tão difícil assim, alguns trechos exigem o uso das mãos, são bastante expostos e a subida é íngreme o suficiente para exigir bom preparo físico do caminhante. A Carrasqueira é o trecho mais difícil tecnicamente e consiste em uma passagem de rocha, com alguma exposição. Aqui, conhecimentos de escalada ajudam bastante e uma corda pode ser fundamental, dependendo do grupo.

Existem várias trilhas que levam ao cume, mas falaremos apenas na que sai do começo da Barra da Tijuca, por ser fácil de achar e ainda oferecer um pequeno estacionamento no início. Este começo da Barra chama-se Barrinha e a trilha se inicia dentro de um condomínio que começa na praça Prof. Velho da Silva. Entre no condomínio e vá até o final, na altura do número 932 da Estrada Sorimã. Aqui está o estacionamento. Um muro alto com um portão grande indica o fim da rua. Pegue o caminho colonial de pedra à sua direita e suba. Você já está na trilha. No final deste caminho, à direita, tem uma descida que leva a um riozinho. Deixe o banho para a volta (se for verão, pois no inverno costuma secar ou ter apenas um filete de água). Siga em frente sempre pela trilha principal, com trechos íngremes e erodidos que exigem o uso das mãos, até chegar a um local conhecido como Praça da Bandeira, uma clareira que é, também, entroncamento de todas as trilhas que sobem a Pedra da Gávea. Veja bem por onde você chegou, pois será a mesma trilha que terá de pegar na descida (a primeira à esquerda, de quem desce da montanha).

Mas ainda estamos subindo... Portanto, pegue a primeira trilha à direita e logo você vai chegar em um mirante de terra, com uma vista deslumbrante para a Cabeça do Imperador, de um lado, e a Pedra Bonita, do outro. A partir daqui, a trilha está fora da mata, com exceção de um trecho quase chegando ao cume secundário. Suba um trecho já bastante erodido de terra escorregadia que, ao final, cairá para a direita, deixando visível a Barra da Tijuca. Um pouco mais e ela tornará a dobrar, dessa vez para a esquerda, em uma saliência de pedra: a famosa Carrasqueira. Apesar de não ser necessário o uso de cordas, se tiver pessoas muito inexperientes no grupo, é aconselhável levá-la, principalmente para a descida deste trecho. Um grampo no final da subida permite armar um rapel ou apenas uma corda fixa. Após subi-la, a trilha segue relativamente plana contornando a montanha pela direita, com um curto caminho de raízes e pedras que leva ao cume secundário.

Este cume é enorme e já possui uma vista maravilhosa. Andando em direção à praia de São Conrado (mais ou menos em frente, assim que pisar no cume), umas lajes de pedra proporcionarão bonitas fotos. Mas o cume principal, que fica no topo da Cabeça do Imperador, ainda exige alguns movimentos de escalada. Ao sair da trilha de raízes, dobre à sua esquerda e siga pela trilha até uma descida na rocha, que hoje possui um cabo de aço para maior segurança dos visitantes (muitos já morreram neste trecho, que era um dos mais perigosos das montanhas cariocas até a colocação do cabo). Desça até o colo, que também está protegido por um cabo de aço como se fosse uma cerca à sua esquerda, e suba os “degraus” de rocha do outro lado, caindo um pouco para a direita na canaleta íngreme (essa trilha é tão usada que tudo está muito marcado pelo uso, podendo até estar um pouco escorregadio por causa disso. Redobre a atenção!). Uma curta trilha irá levá-lo até o cume principal. Para descer da montanha, faça o caminho inverso mas não esqueça de, na subida, olhar de vez em quando para trás. A visão da trilha que temos na subida nunca é a mesma da descida e podemos nos confundir com facilidade...
Grau de dificuldade: pesada

Pedra Bonita – conhecida por causa da rampa de vôo livre, muitos não sabem que ali não é o cume desta montanha. A trilha para o cume é curta mas íngreme e, se feita durante o verão, o calor é insuportável por ser pouco protegida do sol. Ela começa um pouco antes do estacionamento da rampa, antes de uma ladeira bastante íngreme de paralelepípedo. De frente para a ladeira, a trilha fica antes da área para estacionamento, à direita, com uma placa indicando o início. Ela não tem muito mistério, provavelmente com apenas uma bifurcação significativa (para subir, escolha o caminho da direita. Para descer pela outra trilha, escolha também o caminho da direita). O cume é grande e fica sobre uma laje de pedra. A descida pode ser feita por outra trilha, mais íngreme mas mais curta, que termina praticamente na rampa, já acima da ladeira citada. Tempo total: cerca de 1h a 1h30.
Grau de dificuldade: leve

Obs.: O grau de dificuldade é definido por uma escala simples com apenas três “tipos” de caminhada: leve, semi-pesada e pesada. Este grau, como qualquer graduação, é subjetivo mas leva em consideração o percurso, o ganho de altitude em um dia, a distância percorrida, etc. Lembre-se que uma caminhada pode ser pesada mesmo sendo feita em apenas um dia... Bem como pode ser leve, mesmo sendo feita em vários dias curtos e planos...

Mapa: A Prefeitura do Rio de Janeiro está fazendo uma nova edição do mapa da floresta da Tijuca, sem previsão para lançamento.

Leitura Sugerida:
• Trilhas do Rio, Pedro da Cunha e Menezes, ed. Salamandra
• Novas Trilhas do Rio, Pedro da Cunha e Menezes, ed. Sextante
• Livro de Aventura do Excursionista Decidido – Sergio Beck
• Livro de Orientação do Excursionista Perdido – Sergio Beck

Requisitos Necessários para se fazer estas trilhas:
• Conhecimento do local – claro que você não conhece todos os lugares que pretende trilhar. Por isto, estar acompanhado de um guia experiente é funda mental. Tenha certeza de que o grupo possui um mapa e uma bússola e todos sabem usá-lo. E, lembre-se: GPS sem mapa não funciona! (Sem pilhas também não...)
• Um bom equipamento – certifique-se que você possui um anorak impermeável, uma boa bota já amaciada, lanterna e pilhas extras etc.
• Preparo físico e psicológico – mais do que estar preparado fisicamente, tenha certeza de que está preparado psicologicamente para as durezas da vida ao ar livre. Carregar uma mochila mal ajustada e pesada pode ser desconfortável para a maioria das pessoas, por exemplo. Mas, se você está preparado psicologicamente, não descuide do físico – ele fará toda a diferença no final de um longo dia!

Material indispensável:
• Mapa e bússola
• Mochila de ataque
• Lanterna com pilhas extras
• Anorak
• Lanche. Procure levar coisas leves e energéticas como castanhas e nozes, frutas secas, biscoitos etc.
• Água – leve pelo menos um litro por pessoa. Durante o verão, leve um litro e meio, no mínimo.
• Um agasalho fino, para ser usado embaixo do anorak, embalado em saco plástico, para conservá-lo longe da umidade. Lembre-se que, mesmo estando no Brasil, o frio pode matar (hipotermia).
• Uma boa bota de caminhada, de preferência com o cano alto, para protegê-lo de torções (muito freqüentes quando estamos cansados).
• Boas meias – use uma fina por baixo e outra mais grossa por cima, protegendo seu pé de indesejáveis bolhas (enquanto uma meia roça na outra, o seu pé fica longe dos atritos que causam as bolhas). E, caso elas apareçam, pare imediatamente e faça um curativo, antes que piore.
• Procure usar roupas de tecidos sintéticos como dry fit, tactel, suplex e similares. Eles secam rápido, afastam o suor do contato com o corpo (o que permite fazê-lo sentir-se sempre “seco”) e são muito leves, ideais para qualquer clima.
• Um bom estojo de primeiros socorros – leve apenas aquilo que sabe usar e não esqueça que, mais importante que socorrer, é não piorar o estado da vítima.
• Telefone celular – mantenha-o desligado para não gastar a bateria e, em caso de emergência, tenha em mãos telefones úteis, principalmente o do Parque Nacional da Tijuca. Avise ao menos uma pessoa da família ou amigos para onde você está indo, que trilha pretende fazer e quando pretende voltar. Em caso de resgates, estas informações serão valiosas...

Lembre-se:
• Esteja acompanhado de guias experientes e pessoas conscientes . Só o tempo e a exaustiva repetição dos procedimentos de segurança te farão um experiente montanhista. Não existem cursos que ensinam o que a vivência e o tempo fará...
• Tenha mapas da região e bússola mas tenha certeza de que sabe usá-los corretamente!
• Prepare a mochila corretamente.
• “Não deixe rastros” – procure não deixar indícios da sua passagem pelas montanhas e, se possível, leve isto às últimas conseqüências... Assim, tudo o que você levou, traga de volta!
• Não deixe de trazer inclusive as cascas de frutas e papel higiênico usado, pois eles também poluem, inclusive visualmente – mesmo sendo biodegradável. Além do mais, no caso das frutas, você poderá estar introduzindo espécies que não pertencem ao ecossistema por onde você está passando.
• Trate a água que for beber.
• Não ande fora das trilhas e evite ao máximo os atalhos. Eles provocam erosão...
• Não faça muito barulho.
• Se alguém não tem experiência no grupo, seja responsável também pela formação desta pessoa, ensinando-a regras de ética e boa conduta no mato.
• Saiba como proceder em caso de tempestades elétricas – muito comuns principalmente no verão e, claro, extremamente perigosas.
• A aventura não está em sair de casa desprevenido, mas em voltar com segurança!
• Ajude a preservar o que é de todos, para que dure muitos anos mais...
• APedal Center não se responsabiliza por alterações na trilha ocorridas depois da publicação deste roteiro. A exatidão dos pontos de referência era a melhor possível por ocasião da publicação, mas não implica em responsabilidade de nossa parte quanto`a exatidão. Informe-se ANTES de entrar na trilha.
• Utilize este roteiro como fonte de inspiração mas não como única fonte de informação.

• Boas Trilhas...