Parque Nacional da Serra dos Orgãos

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Utilize este roteiro como fonte de inspiração mas não como única fonte de informação.

Caminhar no meio da natureza é uma das melhores e mais acessíveis coisas da vida. Para tanto, nós sugerimos um local que oferece tantas e tão variadas trilhas e cumes quanto a sua vontade de explorá-las: o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o terceiro parque do Brasil, criado na década de 30 do século passado pelo então presidente Getúlio Vargas.

Com boa infra-estrutura para o visitante e de fácil acesso, o parque está situado na Serra do Mar e possui flora e fauna típicas da Mata Atlântica, um frágil e exuberante ecossistema em extinção. Uma de suas entradas está em Teresópolis, onde também está a Trilhas e Rumos.

O PNSO está localizado no estado do Rio de Janeiro, a apenas cerca de hora e meia da cidade do Rio, mais ou menos entre Teresópolis e Petrópolis, duas importantes cidades serranas. Faz parte da Serra do Mar (é aqui que ela atinge seu ponto mais alto) e possui ainda um bom pedaço de Mata Atlântica, uma de nossas vegetações mais devastadas, com apenas cerca de 8% de mata nativa remanescente cobrindo nosso solo. Na parte mais alta, possui vegetação de altitude, rasteira, além das vistas absolutamente deslumbrantes, com visuais que, com muita freqüência descortinam a Baía de Guanabara, lá embaixo... O principal rio que corta o parque chama-se Soberbo e proporciona maravilhosos banhos de cachoeira, inclusive na sub-sede do parque, situada na BR 116, antes da subida da serra. Mas este não é o único rio e água é o que não falta – por causa dela a flora local é tão exuberante.

Seu cume principal, a Pedra do Sino, está a 2.263 m. acima do nível do mar. Sua montanha mais famosa é o Dedo de Deus, também montanha símbolo do alpinismo no Brasil quando, no começo do século passado (1912), brasileiros a escalaram, depois de europeus terem dito ser impossível sua ascensão. Sua travessia mais repetida e procurada atravessa o parque inteiro, de Petrópolis a Teresópolis, em cerca de 42 km de trilhas íngremes e de difícil orientação.

Suas montanhas são lindas, de desenhos originais e muito diferentes entre si, com paredões de todos os tipos, para todos os gostos (também é aqui que se encontra as maiores paredes escaláveis do Brasil, as chamadas big wall ). As trilhas são inúmeras e pode-se passar bem um ano indo para aquele lugar sem conhecer metade do que a natureza nos oferece. Para se ter uma idéia, existem montanhas no miolo mais isolado da serra (esta área é considerada intangível de acordo com o plano de manejo do parque, ou seja, a visitação é proibida e, se quiser ir lá, terá de pedir autorização especial) onde há mais de 20, 30 anos ninguém pisa em seu cume! E isto nas bordas de uma cidade como o Rio de Janeiro, que é considerada o maior centro de escalada urbana do mundo...

Como chegar:
Saem ônibus com muita freqüência da Rodoviária Novo Rio, tanto para Teresópolis (pedir para descer na Sede do Parque, já quase chegando na cidade – não confundir com a sub-sede, bem abaixo, antes mesmo de subir a serra...) quanto para Petrópolis (tomar outro ônibus para Correias e, depois, para Bonfim. Terá um trecho – chato – de estrada de terra para vencer, até chegar à entrada do parque, que fica do lado da pousada Cabanas do Açú).

Onde ficar:
Entrando por Teresópolis:
• A administração do parque reconstruiu, no mesmo local, o Abrigo 4, que funcionou durante muitos anos próximo ao cume da Pedra do Sino. É cobrada taxa de pernoite. Não é cobrada taxa de camping, para quem ficar fora do abrigo.
• Camping selvagem, em sua maioria.
• Abrigo Paquequer – diária de R$ 20,00 por pessoa, com direito a sopa de jantar e café da manhã.
• Camping nas imediações do abrigo Paquequer – R$ 6,00 por pessoa, por dia.

Entrando por Petrópolis:
• Camping selvagem em vários locais da trilha. Os mais indicados são o Ajax, após cerca de duas horas de caminhada da entrada da trilha, e os Castelos do Açu, o ponto mais alto deste lado, a 2.150 m. e cerca de quatro horas de caminhada. Nos feriados e finais de semana este local fica muito cheio, com pessoas deixando lixo e fazendo muito barulho. A sugestão é caminhar mais em direção à travessia ou se afastar do Açú, para ter um pouco mais de paz.

O que fazer:
Existem muitos cumes para se conhecer. Alguns estão dentro do parque mas o acesso é feito por vales laterais. A maioria deles é acessível apenas por trekking e algumas travessias exigem o uso do rappel. As vistas, para onde você quiser olhar, são sempre deslumbrantes!

Algumas montanhas do parque: Escalavrado, Dedo de Nossa Senhora, Dedo de Deus, Cabeça de Peixe, Santo Antonio, São João, São Pedro, Garrafão, Agulha do Diabo, Papudo, Pedra do Sino, Morro da Pipoca, Morro da Cruz, Jacó, Açú, Eco, Solidão, Duas Vertentes, Morro do Marco, Morro da Luva, Mirante do Inferno e inúmeras outras.

Quando ir:
A temporada vai de abril a outubro, época mais seca e, portanto, longe das chuvas de verão e das tempestades elétricas. Vale a pena dar uma checada no tempo, pois não é nada agradável pegar uma tempestade em local tão alto e “desabrigado” e, mesmo no inverno, elas são comuns. O frio pode chegar a alguns graus abaixo de zero. Vá prevenido.

Quanto custa:
• Entrada normal – R$ 3,00 por pessoa
• Estacionamento – R$ 5,00 por carro
• Pedra do Sino, caminhadas que utilizem a trilha do Sino (quase todas) e Travessia – R$ 12,00 por pessoa (neste caso, não se paga o estacionamento)

Contato:
(0xx21) 2642.1070
O parque funciona das 8 às 17 horas, de terça a domingo.

Dicas:
• Não saia de casa sem um guia experiente te acompanhando...
• Tenha mapas da região e bússola mas tenha certeza de que sabe usá-los corretamente!
• Prepare a mochila corretamente.
• “Não deixe rastros” – procure não deixar indícios da sua passagem pelas montanhas.
• Não polua os cursos d'água e trate toda a água que for consumir.
• Não ande fora das trilhas e evite ao máximo os atalhos.
• Enterre as fezes a pelo menos 15 cm do chão e a mais de 40 metros de um curso d'água.
• Avise ao menos uma pessoa da família ou amigos para onde você está indo, que trilha pretende fazer e quando pretende voltar. Em caso de resgates, estas informações serão valiosas...
• A aventura não está em sair de casa desprevenido, mas em voltar com segurança!
• Não esqueça de trazer seu lixo de volta.
• A Trilhas & Rumos não se responsabiliza por alterações na trilha ocorridas depois da publicação deste roteiro. A exatidão dos pontos de referência era a melhor possível por ocasião da publicação, mas não implica em responsabilidade de nossa parte quanto a exatidão. Informe-se ANTES de entrar na trilha.
• Utilize este roteiro como fonte de inspiração mas não como única fonte de informação.

• Boas Trilhas...