Parque Nacional da Chapada Diamantina


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Utilize este roteiro como fonte de inspiração mas não como única fonte de informação.

Existem lugares na Terra onde a natureza foi tão caprichosa que é difícil acreditar que realmente existem... A Chapada Diamantina é um desses lugares. Um oásis no meio da caatinga, com tanta água quanto o necessário para a vida aflorar em abundância. Apesar de ser um parque nacional, não funciona, ainda, como um deles, ou seja, não tem guarita, não se paga entrada e o que se tem para visitar é muito mais do que os próprios domínios do parque – mas paga-se entrada ou taxa em vários desses lugares! As distâncias são longas mas valem a pena. E o lugar está muito bem estruturado para o visitante inexperiente. Portanto, se você tem um pouco mais de experiência, irá estranhar este assédio constante de tantas agências para um lugar tão pequeno como Lençóis, charmosa vila colonial, porta de entrada da Chapada Diamantina, na Bahia. Talvez seja aqui que se encontre a maior concentração de estrangeiros visitando nosso País. E é também aqui que você vai encontrar um dos melhores cafés da manhã do planeta... Dizem que os hotéis e pousadas competem neste quesito e quem sai ganhando? Nós, é claro!

Como o próprio nome diz, esta região já foi importante centro do garimpo de diamantes e de ouro, há muito abandonados. A região que compreende a Chapada é muito extensa e trataremos, basicamente, da Serra do Sincorá e de vilas vizinhas como Andaraí, Lençóis, Mucugê e Palmeiras. Alguns lugares são clássicos e dispensam apresentação. Outros, só os iniciados ouvem falar e acabam demandando um pouco mais de tempo para se conhecer.Talvez precise de muito mais do que um ano para arranhar as belezas da Chapada, até porque alguns passeios têm datas certas e épocas do ano propícias para realizá-los. Alguns ‘forasteiros' acabaram se apaixonando de tal forma que ficaram lá para sempre. Este pode até não ser o seu caso mas, com certeza, você trará boas e fascinantes lembranças desta natureza tão caprichosa e delicada da Chapada Diamantina.

Lençóis – ponto de partida mais tradicional da Chapada, é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Charmosa vila colonial cortada por um rio, cheia de pousadas e hotéis, restaurantes típicos, artesanato, lojas transadas e muito agito, principalmente à noite, quando os grupos voltam dos passeios diários. Sucos de frutas típicas do nordeste são fáceis de encontrar, além de refeições naturais, acarajé (não esqueça! Estamos na Bahia...) e comidas locais (não deixe de experimentar cactus, ou palma, como é chamada por lá), tudo bastante acessível ($). Algumas caminhadas saem do centro da cidade e é altamente recomendável um banho nas piscinas naturais do Serrano , local onde se originou a cidade e era um antigo garimpo. As rochas coloridas do conglomerado foram gastas pela ação da água formando um leito que mais parece mármore. É um local ideal para o banho no final do dia. Vá até o final da rua Altina Alves, passando ao lado do Hotel Portal de Lençóis, e siga o caminho para o Serrano. São cerca de 15 min. de caminhada do centro da cidade. Um pouco acima do Serrano, a cerca de 10 ou 15 min. de caminhada, chega-se ao Salão de Areias Coloridas, onde os artesãos locais recolhem mais de 30 cores diferentes de areia para fazer suas garrafas coloridas. Quer continuar se aventurando rio Lençóis acima? Pois vá até a Cachoeirinha , o Poço Halley e a Cachoeira Primavera (a mais distante de todas, cerca de 20 min. acima da Cachoeirinha). Se você é muito bom em orientação e tem experiência em trilhas, siga sozinho mas prepare-se para não obter respostas em alguns pontos das trilhas (os guias não gostam muito de ver grupos desacompanhados!). As trilhas estão sinalizadas e um olhar experiente saberá encontrá-las. Caso não se sinta à vontade, contrate um dos muito meninos-guias que ficam pela cidade. Aliás, existe até uma associação de guias de Lençóis e isso não será problema!

Cachoeira do Sossego – situada a 7 km do centro de Lençóis, oferece um banho maravilhoso no rio do Ribeirão e é linda. Sugerimos que seja feita em conjunto com Ribeirão do Meio e de Baixo, conhecendo e aproveitando todo este setor em um dia. Apesar de fácil para quem está acostumado a caminhar por trilhas, o final é bem traiçoeiro e acabamos nos perdendo, se metendo em uma descida vertiginosa sem fim... Portanto, muito cuidado! A dica é: quando a trilha atravessa o leito do rio e você passa da margem esquerda para a direita, siga beirando o rio, não subindo a trilha do outro lado em hipótese alguma (uma trilha usada para garimpo te levará para cima do canion e ela é bem mais óbvia que o leito do rio, onde o caminho é um sucessivo pular pedras). A volta também é delicada e alguns trechos podem confundi-lo. Se optar por fazer este passeio no fim do dia, volte ainda com luz. O caminho começa perto do ‘camping' e da igreja do Rosário, na rua dos Negros. Cruza-se o córrego do Lava-Pé, onde os garimpeiros se banhavam antes de entrar na cidade, e sobe-se uma ladeira. Uns 200m depois do fim da ladeira existe uma área de estacionamento e uma placa indicando o Ribeirão do Meio, à esquerda, e outra à direita indicando o Sossego. A trilha seguirá paralela à do Ribeirão do Meio por um bom tempo, mas logo começará a subir bastante. Quando chegar no leito do rio Ribeirão, é hora de pular de pedra em pedra. Por isso, vá com calçado apropriado e muito cuidado, pois as pedras molhadas são escorregadias e perigosas. Quase chegando na cachoeira, você atravessará um canion alto e estreito, fazendo uma curva. O poço e a cachoeira são perfeitos para banho... Uma observação final: se chover forte, há sério risco de ‘cabeça d'água'. Não insista em continuar o passeio. Volte com calma, mas volte. O mesmo acontece se você decidir fazer a caminhada depois de uma chuva forte – certifique-se que o rio oferece condições de ser trilhado... Tempo estimado: três horas apenas de ida.
Ribeirão do Meio – a caminhada leva apenas uma hora, em trilha bem batida. Não é necessário guia mas não se afaste da trilha principal! Está a 4 km da cidade e oferece um banho espetacular, além de pedras para banho de sol, mas prepare-se, pois ele está sempre cheio... O caminho começa perto do ‘camping' e da igreja do Rosário, na rua dos Negros. Cruza-se o córrego do Lava-Pé, onde os garimpeiros se banhavam antes de entrar na cidade, e sobe-se uma ladeira. Uns 200m depois do fim da ladeira existe uma área de estacionamento e uma placa indicando o Ribeirão do Meio. O início está calçado e desce uns 250m até o córrego do Meio, subindo os 250m logo após atravessá-lo. A trilha segue relativamente plana até o final. Um escorrega natural e uma piscina grande será a sua primeira visão no fim da trilha, além de vários poços menores. Certifique-se, antes de mergulhar, que não existem pedras submersas. E bom banho!

Ribeirão de Baixo – aproveite o Ribeirão do Meio até quase o sol se pôr e, na volta a Lençóis, desça o rio até o encontro com o rio São José, ou Ribeirão de Baixo, a apenas um quilômetro dali. Você terá de passar por uma parede de um pequeno canion ou nadar por um trecho curto perto da desembocadura do rio. Portanto, não leve crianças nem coisas que não possam molhar. E, é claro, não é indicado fazer com tempo chuvoso. Chegando no poço, pegue uma trilha na margem direita, que te levará até uma estrada usada pelos garimpeiros, a 3 km de Lençóis, que está à sua esquerda.

Gruta do Lapão – é a maior gruta de quartzito do Brasil. Esta rocha é extremamente dura e densa, sendo muito resistente à erosão da água. Por isso, normalmente as grutas de quartzito são bem menores que as calcárias. Está a cerca de 1h40 de Lençóis e a trilha começa próxima ao cemitério, subindo a serra do Lapão. Aqui é sugerido um guia, já que é muito fácil se perder dentro da gruta. Leve lanterna para cada integrante do grupo, com pilhas extras e ao menos uma lanterna reserva, esteja com calçados apropriados e não leve crianças ou pessoas despreparadas, pois o desnível é considerável. O tempo mínimo sugerido para explorar a gruta, atravessando-a em toda a sua extensão, é de quatro horas. Saia cedo, para não subir a serra no calor do meio-dia. A saída da gruta é espetacular, com cerca de 40 metros de vão livre, onde é possível fazer rapel. Você pode voltar pelo caminho que chegou ou descer o rio do Lapão, que é a opção mais interessante – peça ao seu guia para levá-lo por aqui.

Mucujezinho – o rio passa muito perto da BR 242, no quilômetro 225. Esta é a porta de entrada para este simpático e próximo balneário. O nome vem de uma fruta nativa, mucugê, e é o primeiro rio de águas perenes para quem chega das regiões mais secas, a oeste da Serra do Sincorá. Ele nasce perto do Morrão, dentro do parque nacional, recebendo água de muitas serras da região. Por isso, corre sempre forte e frio. Por ser de tão fácil acesso, acaba enchendo muito nos finais de semana. Ainda assim, é uma ótima opção para banhos. O Poço do Diabo está a apenas dez ou quinze minutos (1km) do carro, por uma trilha bem marcada que acompanha o leito do rio. As agências oferecem rapel e tirolesa neste poço.

Cachoeira da Fumaça – o começo desta caminhada está na vila de Capão Grande (ou Caeté-Açú). Um pouco antes de chegar na vila, existem umas poucas casas e vendas, com uma placa indicando o caminho da cachoeira. A trilha é bem marcada e, normalmente, está bem conservada. Não é necessário ter guias, se você já está acostumado a andar em trilhas, mas pode ser aconselhável, pois o caminho é distante de Lençóis e as empresas de turismo ecológico acabam fechando um pacote com o transporte, que é fundamental, e o guia. O caminho segue a encosta da Serra Larga, com o Morrão à esquerda (norte) e o vale do Capão à direita (sul) de quem sobe. Esta subida demora cerca de uma hora e, ao passar um curral de pedra, atinge-se a planície dos gerais . Após cerca de 250 metros do curral, passa-se uma laje de pedra e, depois, a trilha inclina-se um pouco para a direita. Preste bastante atenção neste trecho para não errar! Se não for época de seca, a vista da cachoeira e do vale do rio Capivara é ainda mais espetacular... Não jogue nada (pedra etc) lá embaixo, pois sempre há pessoas visitando-a. O nome da cachoeira vem do fato dela cair de uma altura tão grande (340 m) que a água se espalha como uma névoa bem fininha, muito antes de tocar o chão. O vento faz o resto, ‘trazendo' a água de volta e dando a impressão de ser fumaça...

Morro do Pai Inácio – é um dos cartões postais da cidade e, apesar de super turístico e fácil de chegar em seu cume, é um passeio clássico e imperdível: ver o pôr do sol lá de cima – se bem que, hoje, este passeio está em vias de extinção, pois não é permitido subir após às 17 hs e, portanto, estar ali pouco antes do pôr do sol. Ele está localizado no km 231 da BR-242 e o acesso é feito por carro até quase o topo, por uma estrada de terra que leva a uma torre. Há um pequeno estacionamento e, a partir daí, é necessário o acompanhamento de um guia credenciado (das agências locais) ou de um monitor. Os monitores fazem plantão desde cedo até às 17 hs e não cobram nada pelo acompanhamento. Leva-se de 20 a 30 minutos para subir o caminho íngreme mas muito fácil. O cume está a 1.150 m. e a vista é deslumbrante. Pode-se ver boa parte da Serra do Sincorá, com o Morrão dominando um lado da vista e o Morro do Camelo no outro. Peça ao guia que conte um pouco de histórias e mostre a flora local – eles estão bem treinados e sabem bastante.
Xique-Xique de Igatu – esta cidade é histórica, com muitas ruínas de casas antigas e, atualmente, apenas uns 300 moradores (Igatu sobreviveu apenas porque foi feita de pedra). Construída na época do garimpo, servia de apoio aos garimpeiros por estar situada entre Mucugê e Andaraí. Chega-se pela BA-142. Existe uma estrada ‘carroçável' que foi recuperada recentemente pela prefeitura e é muito bonita. Ela parte da BA-142 entre as pontes dos rios Xique-Xique e Piabas, um km de distância da ponte sobre o rio Paraguaçu. Outra opção é subir andando pelo caminho que vai de Andaraí a Igatu, sendo esta uma das trilhas mais bonitas da região. Ela começa no lado direito da BA-142 sentido Mucugê, cerca de 200 metros antes da estrada ‘carroçável', por uma entrada no meio da mata – a trilha está bem aberta, pavimentada de lajes e fácil de fazer. Preste atenção apenas no trecho que cruza o leito de pedras do rio Xique-Xique – atravesse os cerca de 50m de largura perpendicular ao curso de água, procurando a trilha de lajes que continua do outro lado. São cerca de seis quilômetros até Igatu (duas horas). No caminho, pode-se ver o que sobrou do trabalho dos garimpeiros (montes de entulhos etc)... Chega-se em Igatu pela rua Luiz dos Santos e esta chegada lembra um pouco Macchu Picchu, no Peru.

Poço Encantado – como o nome diz... Este é um daqueles lugares mágicos que você só acredita vendo... Ou, talvez, nem vendo... Uma lagoa de águas cristalinas dentro de uma gruta. Seria apenas isso, não fosse a cor de um azul tão intenso que parece saído de uma cartela de tintas. A melhor época para visitá-lo é junho e julho, podendo se estender de abril a agosto, quando o sol entra na boca da gruta e ilumina com um feixe de luz a água cristalina. Entre junho e julho a luz entra das 9:30hs até 14hs, sendo de 11 até meio-dia o horário mais indicado. Ele está a 44 km a sudeste de Andaraí. Siga a estrada para Mucugê (BA-142). Após 20 km, na estrada para Itaité existe uma placa indicando Poço Encantado. Siga mais ou menos 17 km e, no lado direito, uma placa indica a gruta. A estrada é toda asfaltada até a entrada do Poço, que é tombado pelo Ibama e tem o acesso controlado pelo ‘Miguel do Poço Encantado', guia e guardião – paga-se a presença do guia/entrada. Ninguém entra sem um guia e, para se chegar lá, desce-se uma escadaria até a boca da gruta e, depois, um caminho íngreme mas protegido com corrimão de corda até o local ideal para apreciá-lo. São 90 metros de descida. Apesar de ser um rio subterrâneo, a água está quase parada e, por isso, não é permitido o banho no local, para não poluir. Os guias conhecem muito da história local e, provavelmente, contarão boa parte dela, inclusive porque temos a visão do azul intenso, mesmo sendo a água transparente e não azulada. Aproveite cada segundo aqui dentro e leve máquinas manuais com tripés, pois a pouca luz não permite fotografar com máquinas automáticas. É um dos cartões postais da Chapada Diamantina e um dos lugares mais lindos da região.

Poço Azul – apesar do nome, seu azul é bem menos intenso que o Poço Encantado. Como o rio corre bem mais rápido, é permitido o banho em suas águas límpidas. Também aqui existe a incidência dos raios solares pela boca da gruta, acentuado no mês de agosto. É necessário um guia para visitá-lo (eles estão de prontidão na entrada da gruta) e o acesso se dá por estrada de terra, dentro de fazendas. É comum visitá-lo depois do Poço Encantado, por estarem relativamente próximos. O Poço Azul ficou conhecido quando um mergulhador tirou uma ossada quase intacta de uma preguiça gigante (Megatério), de aproximadamente dez mil anos. Se você tiver uma máscara de mergulho, leve. Se não, é possível alugar com os guias. A água é tão transparente que impressiona...

Marimbus – o pantanal da Chapada, formado na confluência dos rios Santo Antônio e Utinga, na borda leste da Chapada, se estendendo até perto da cidade de Andaraí. Os passeios são feitos de canoas, pois não é permitido barco a motor, e pode-se encontrar jacarés e capivaras, além de vários tipos de peixes e a típica taboa, planta aquática. Precisa de guias e pode-se fazer passeios curtos, de poucas horas, ou mesmo dias, quando o barqueiro pesca na hora o almoço e o jantar.

Trilha Pai Inácio – Morrão ou Monte Tabor – Lençóis – esta trilha pode ser feita em um dia tranqüilamente, para aqueles que caminham bem e têm boa noção de trilhas. Caso não seja o seu caso, contrate um guia, pois os caminhos podem enganar, já que são pouco trilhados e acabam não passando de trilha de gado. Pegue um caminho que sai mais ou menos à esquerda do posto de gasolina que está na BR-242, ao pé do Pai Inácio, e siga em direção ao Morrão, que ficará visível, te guiando, boa parte da trilha. Lembre-se que este vale é cortado por alguns rios e riachos e a vegetação é densa e fechada perto da água. Procure andar perto do pé da serra, tanto faz se à esquerda ou à direita. Ao passar pelo Morrão, caia um pouco para a esquerda, seguindo um vale que logo se formará e que te levará para Lençóis – a trilha é muito boa e, se não for o caso, procure melhor! Você deve ter saído dela... Se cair para a direita, seguirá para Capão – outra opção desta belíssima e não muito freqüentada trilha. São cerca de 26 km. A vista, quando se chega em Lençóis, também é muito bonita. Aproveite para tomar um banho no Serrano antes de descer para a cidade, já que está no caminho...
Torrinha – não precisa ser espeleólogo para admirar as incríveis e delicadas belezas desta gruta, uma das mais bonitas da região, com seus ricos espeleotemas e formações incomuns. Pode-se escolher um dos vários passeios que são realizados dentro desta gruta, mas a sugestão é fazer o número 3 mais o salão das flores. Peça exatamente assim e o guia (obrigatório), saberá exatamente o que você quer ver, ou seja, tudo de mais especial que existe ali dentro, em um passeio que dura no mínimo três horas de uma fascinante viagem às entranhas da terra... Paga-se para entrar e, claro, este passeio completo é o mais caro mas vale cada centavo! A entrada da gruta está no lado esquerdo da BA-122, cerca de oito quilômetros depois da BR-242 (entrada da BA-122 está a cerca de 20 km depois do Pai Inácio). Certifique-se se eles estão guiando grupos à noite, já que não é necessário ‘perder' o dia para conhecer um lugar naturalmente escuro.

Gruta da Lapa Doce – é considerada a terceira maior do Brasil, com 24 km de extensão mapeados. Apenas um km é mostrado ao visitante. É necessário o acompanhamento de um guia e paga-se uma taxa de entrada. Fica na BA-122, que está mais ou menos a 20 km do Pai Inácio, seguindo pela BR-242. Anda-se 12 km até Nova Parada de Santa Rita. Placas indicam a gruta à esquerda e a Pratinha à direita. Ande um quilômetro em uma estrada de terra até uma bifurcação. Dobre à direita e ande mais um quilômetro. Placas indicam o caminho.

Gruta da Pratinha – ela está do outro lado da Lapa Doce. Apenas atravesse o asfalto e ande sete quilômetros de estrada de terra, passando pela vila Lagoa de Santa Rita, até a Fazenda da Pratinha. A água sai da gruta e deságua em um rio cristalino azul clarinho, cheio de peixes (Rio Santo Antônio). Um verdadeiro oásis no meio do sertão. É bonito, mas o entorno está já bastante mexido pela mão do homem, com restaurante, banheiros e vestiários, escadarias etc. Aliás, é o mesmo caso das grutas anteriores, mas a beleza natural ainda impressiona. Paga-se para tomar banho na lagoa da Pratinha e outra taxa se quiser mergulhar na gruta, acompanhado de um guia (obrigatório). Esta taxa para o mergulho inclui o aluguel das máscaras, pé de pato, colete etc. Se fizer o mergulho, apanhe um pouco da ‘areia' do fundo da gruta que, na verdade, são pequenos búzios, de origem ainda desconhecida.

Gruta Azul – esta pequena gruta fica pertinho do estacionamento da Pratinha. Não é permitido tomar banho. A luz do sol batendo na água deixa tudo azul-esverdeado e é muito bonito.

Sugestão de passeios em uma semana (todos os dias são longos. Esteja preparado fisicamente):
1 º dia – Gruta do Lapão, Cachoeira do Sossego, Ribeirão do Meio e de Baixo (trekking)
2 º dia – Igatu, Poço Encantado e Poço Azul (carro alugado ou agências, mas nem todas fazem este roteiro – o carro custa cerca de R$ 45,00 o dia + gasolina. Existe apenas uma locadora em Lençóis e está situada do lado da agência Venturas e Aventuras, no centro da cidade)
3 º dia – Mucugezinho, Pai Inácio, Gruta Azul e Pratinha, Torrinha (carro alugado ou agências)
4 º dia – Pai Inácio – Morrão – Lençóis (pede-se para o pessoal da locadora levar até a entrada da trilha – eles cobram cerca de R$ 30,00; ou combina com alguma agência que não esteja com o carro cheio...)
5 º dia – Capão – Cachoeira da Fumaça (agências)

Caminhadas longas:
Aqui nós vamos apenas listar alguns trekkings mais longos, com alguma informação complementar, que são possíveis fazer na Chapada Diamantina. Todos precisam de guias (ou, no mínimo, alguém experiente em caminhar por trilhas e que saiba se guiar por mapas e bússolas) e, portanto, não estamos aqui incentivando-o a fazê-lo sem eles. Mas queremos que você saiba da existência deles, que são lindos e possíveis. Assim, na próxima ida à Chapada Diamantina, poderão entrar no seu planejamento. Mas, lembre-se, a Chapada é quase inesgotável e tem muito mais a ver e descobrir. Algumas trilhas podem ser feitas de bicicleta, por exemplo. Procure mais informações quando estiver por lá e boas Trilhas...

Cachoeira da Fumaça por baixo – são três dias de caminhada (ida e volta) e se vê a cachoeira por baixo da queda, dentro do vale. Dois caminhos podem ser usados: Pela Serra do Veneno (exige o uso de um guia) ou seguindo o rio Capivara (apesar de ser mais longa, não exige o guia. Mas exige a presença de pessoas experientes em caminhar por ambientes naturais).

Cachoeira da Fumaça (por baixo) – Topo da cachoeira – são apenas 4 km de uma dura escalaminhada, sugerida apenas aos mais experientes e com alguma prática em técnicas verticais (escalada). Duração: cerca de 2 hs. Mas, lembre-se, para chegar aqui é preciso caminhar pelo menos 20 km!

Capão – Paty – Mucugê – Igatú – Andaraí – saindo de Capão, são quatro dias caminhando quase o tempo todo pelos campos abertos dos gerais (em muitos trechos a trilha sumiu e a presença de um guia é altamente recomendável). Pode ser feito apenas parte dele. Informe-se com os guias locais...

Lençóis – Capão, passando pela Cachoeira da Fumaça por cima – são 25 quilômetros e podem ser feitos em um longo dia (cerca de oito horas). Ou em dois dias curtos, aproveitando uma noite no coração da Serra do Sincorá.

Pai Inácio – Lençóis – pode ser feito também no sentido inverso mas, aí, será serra acima... Pegue a BR 242 em direção ao Pai Inácio. Treze quilômetros depois da entrada para Lençóis terá uma ponte e, cerca de um quilômetro depois, uma forte curva para a direita. Na margem tem uma cerca de proteção. A trilha começa logo depois dessa cerca (no lado esquerdo da rodovia). É recomendável um guia pois, apesar de ser fácil de seguir a antiga estrada, alguns trechos podem confundir. São 14 quilômetros (cerca de seis horas).

Andaraí – Paty – Cachoeirão – cerca de 32 km (ida e volta), que sugerimos fazer em três dias, com guias. Pode-se acampar ou dormir na casa do Sr. Eduardo (que mora no Vale do Paty).

Mucugê – Paty de Cima (via Gerais do Rio Preto) – 26 km de um percurso difícil, que pode durar mais de 10 hs. Necessário um guia.

Cuidados:
• Esteja sempre acompanhado de guias experientes.
• Não deixe lixo – traga todo seu lixo de volta e aproveite para recolher dos outros também!
• Não use atalhos.
• Esteja sempre preparado para o caminho que escolheu – tenha uma mochila com lanterna e pilhas extras, água, comida e abrigo de chuva. Não esqueça o mapa e a bússola e tenha certeza de que sabe usá-los!
• Não escreva nas pedras.
• Procure não deixar sinais de sua passagem pela natureza.
• Não tire mudas de plantas.
• Não esqueça o chapéu, protetor solar e a máquina fotográfica.
A Pedal Center não se responsabiliza por alterações na trilha ocorridas depois da publicação deste roteiro. A exatidão dos pontos de referência era a melhor possível por ocasião da publicação, mas não implica em responsabilidade de nossa parte quanto`a exatidão. Informe-se ANTES de entrar na trilha.
• Utilize este roteiro como fonte de inspiração mas não como única fonte de informação.

Cuidados especiais com as grutas!:
• Espeleotema é o nome que se dá a todas as formações que mais parecem ‘enfeites' nas grutas, como estalactites (no teto), estalagmites (no chão), cortinas, cascatas de pedra, flor de aragonita, bolhas, cristais e um sem número de formações delicadas e deslumbrantes.
• Estes espeleotemas são formados apenas depois da gruta secar e levam milhares, milhões de anos de um trabalho minucioso e incrivelmente lento da natureza.
• A localização de ‘goteiras' na gruta, a qualidade na superfície naquele ponto e a quantidade de água que pinga determinarão a forma do espeleotema.
• Muitos espeleotemas são inativos, ou seja, eles já não crescem mais nem mudam de forma.
• Cada formação em uma gruta significa que ali aconteceu o acúmulo único de carbonato de cálcio durante muito, mas muito tempo (milênios?), sob condições muito especiais. Não existe reparação em caso de danos. Sim! A perda é para sempre...
• Por isso, deixe tudo exatamente como você encontrou. Muito cuidado com o capacete, pois muitas vezes o teto é baixo e é fácil esbarrar com a cabeça nele, exatamente onde estão localizadas algumas das formações mais incríveis e delicadas deste fabuloso capricho da natureza.
• Quando der vontade de levar uma lembrança, tire uma fotografia... Ou simplesmente espere a vontade passar! Lembre-se que os visitantes que virão depois de você têm o mesmo direito de apreciar tanto trabalho e dedicação...

Como chegar:
• avião, pelas empresas Nordeste (www.voenordeste.com.br – o site dá acesso a todas as lojas no Brasil e no mundo, com endereço, telefone e horário de funcionamento. Basta clicar em ‘lojas') ou Pantanal (11. 3846.4955 / 0800.125833 – www.pantanal-airlines.com.br);
• ônibus, pelas empresas Real Expresso (0300.788.7325 – www.realexpresso.com.br) ou Águia Branca (0800.991211 – www.viacaoaguiabranca.com.br);
• carro, pela BR 242, depois de Feira de Santana.

Onde ficar:

Pousadas
Estalagem e Atelier Alcino – (75) 334.1171 – o melhor café da manhã da galáxia, segundo alguns clientes
Vila Serrano – (75) 334..1486
Nossa Casa – (75) 334.1258
O Casarão – (75) 334.1198
Casa da Geleia – (75) 334.1151
Roncador – (75) 334.1133
Águas Claras – (75) 334.1236
Casa de Hélia – (75) 334.1143
Diângela – (75) 334.1192
Diamante Bruto – (75) 334.1257
Diamantina – (75) 334.1314
Dos Duendes – (75) 334.1229
Violeiro – (75) 334.1259
Camping Alquimia – (75) 334.1282
Camping Lumiar – (75) 334.1241
Coisas da Terra – (75) 334.1379
Pousalegre – (75) 334.1124
Pôr do Sol – (75) 334.1363
Da Fonte – (75) 334.1143
Primavera – (75) 334.1315
Lavramor – (75) 334.1280
Verde Perto – (75) 334.1317

Hotéis
Canto das Águas – (75) 334.1154
De Lençóis – (75) 334.1102
Fazenda Guaxo – (75) 334.1356
Village Lapão – (75) 334.1117
Portal – (75) 334.1233
Colonial – (75) 334.1268 / 1114
Tradição – (75) 334.1120
Onde comer (existem inúmeros outros. Peça indicação ao pessoal local!):
• Acarajé no centro da vila de Lençóis (rua das Pedras), acompanhado de suco de frutas do norte/nordeste.
• Beco da Coruja – Rua do Rosário s/n – comida vegetariana
• Neco's – praça Clarindo Pacheco, s/n. – (75) 334.1179 – mexido de palma (cactus) e tucunaré. Precisa reservar antes.
• Mistura Fina (Dalva) – no centro de Lençóis – comida caseira
• Picanha na Praça – carnes e peixes, tudo acompanhado de comida caseira.

Algumas agências:
Venturas e Aventuras – (75) 334.1428 – www.venturas.com.br
Andrenalina – (75) 334.1261 – rapel, esportes de aventura e aluguel de equipamentos
Nativos da Chapada – (75) 334.1314 – rapel, mergulho em cavernas e esportes radicais
Passeios a Cavalo – Taurino – (75) 334.1143
Mountain Bike e Cicloturismo – Ronay – (75) 334.1171

Existem inúmeras outras no centro da cidade de Lençóis. Elas ficam abertas até tarde (algumas, até 22hs). Compare os preços e as saídas nos dias que você estiver na cidade...

Mapas e Publicações:
• Um guia para a Chapada Diamantina, Roy Funch
• Trilhas e Caminhos, Roberto Sapucaia – Circuito do Ouro e Circuito do Diamante. Existe um mapa vendido separadamente mas que acompanha estas edições.
• Mapas da região publicados pela SUDENE, escala 1:100.000 (SD.24-V-A-I de Seabra; A-II de Utinga; A-IV de Palmeiras; A-V de Lençóis; C-I de Piatã e C-II de Mucugê).
• Livro de Aventura do Excursionista Decidido – Sergio Beck
• Livro de Orientação do Excursionista Perdido – Sergio Beck

Link: www.florafumaca.hpg.com.br