Parque Estadual do Ibitipoca


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Utilize este roteiro como fonte de inspiração mas não como única fonte de informação.

Difícil decidir para qual lado olhar. Ibitipoca reúne em uma caminhada de cerca de 18 km uma variedade impressionante de grutas, cânions, cachoeiras e lagoas cortando um imenso planalto com vegetação de altitude, onde apenas o vento e pássaros produzem os poucos ruídos na área. É um local para se caminhar com calma, parando para olhar em volta com freqüência, aproveitando o fato dos arbustos serem baixos e deixando a visão navegar pela distância. Dizem que o pôr-do-sol dali tem a maior variedade de tons vermelhos e azuis de toda a região, especialmente em dias mais frios, quando quase não se forma névoa no céu.

Ibitipoca é um nome estranho aos nossos ouvidos, de origem controvertida, e quase certamente indígena. É administrado pelo Instituto Estadual de Florestas, sob o nome de Parque Estadual do Ibitipoca, e fica no sudeste de MG, a cerca de 90 km de Juiz de Fora. Os observadores de pássaros gostarão de saber que existem na área do parque mais de 200 espécies de aves, sendo 17 endêmicas e que, pelo número reduzido de árvores de grande porte, fazem seus ninhos nas grutas de arenito espalhadas pela região ou próximos às cachoeiras. Também os lobos-guará são vistos com freqüência na área de camping próxima à sede do parque, sempre à procura de restos de alimentos. Como são animais relativamente dóceis, rapidamente se habituam à presença humana e passam a se aventurar cada vez mais perto, revirando panelas e mochilas deixadas ao relento, um modo bem mais fácil de obter alimento do que caçar roedores e pequenos animais, sua dieta habitual. Os guardas-parque são bastante enfáticos em seus pedidos de evitar alimentá-los ou deixar comida desprotegida, pois isso terminará por deixá-los dependentes dos humanos e especialmente vulneráveis àqueles menos escrupulosos. A Natureza é sábia ao manter ariscos seus animais.

Um fato curioso é a coloração das águas do parque, com um tom dourado produzido por pequenas algas que se aderem ao leito rochoso. Ela, entretanto, é potável e inodora, sendo sempre uma visão contrastante em um terreno onde predominam rochas de arenito e pouca vegetação. Flui o ano todo a partir de lençóis subterrâneos, que acumulam a água caudalosa da época de chuvas (verão), sendo obviamente menos intensa nos meses secos. Toda a área de trilhas do parque fica situada acima dos mil metros de altitude, chegando a 1.784 metros no ponto mais alto (conhecido como “Lombada”). Isto deixa a água com temperatura menor do que apreciariam os mais friorentos, mas nada que um aquecimento prévio caminhando não resolva. Portanto, roupas de banho e uma toalha de alta absorção, além de filtro solar, boné e óculos escuros são itens fundamentais em sua mochila que, aliás, nem precisa ser muito grande, já que as caminhadas serão sempre de um dia, começando e terminando na área de camping ou Centro de Informações (é proibido fazer acampamento selvagem).

A estrutura é bastante boa, em especial se comparada às existentes na maioria de nossos parques. O Centro de Informações, localizado pouco depois da portaria, distribui pequenos mapas dos roteiros (que reproduzimos adiante), tem boas informações da flora e fauna da região e possuem um pequeno auditório para exibição de um vídeo sobre o local. Mais adiante, na área de camping, existem banheiros limpos (como sempre, sem papel higiênico), bons chuveiros elétricos e locais para lavar louças e roupas. Além disso, existe a lanchonete do parque, que tem itens básicos e serve um honesto prato feito. A má notícia é que a área é pequena e limitada a poucas barracas, lotando facilmente durante feriados - uma boa precaução é reservar com antecedência. Entretanto, existem muitos campings na cidade de Ibitipoca, mas ela fica a cerca de um quilômetro da entrada e não há ônibus fazendo essa interligação. Restará fazer esse percurso adicional a pé ou de carro. E, em se tratando dessa maravilhosa máquina que nos leva a lugares tão distantes mas que também é barulhenta e poluidora, além de erodir o frágil piso local, fique sabendo que o limite de ingresso é de 30 carros, o excedente ficando antes da portaria, estacionados pela estrada. Só entendi a existência de estacionamentos entre a cidade e o parque depois de sair no final de um belo dia de caminhadas e encontrar uma fila de mais de 200 metros com carros estacionados ao lado da estrada. E isso que era um final de semana fora do verão, férias ou feriados nacionais. O parque abre às 8hs: considere chegar cedo, mesmo que esteja ainda meio frio. E ele fica aberto o ano todo...

Para quem viaja de ônibus, uma informação: Ibitipoca recebe apenas dois ônibus por dia, que partem de Lima Duarte, 26 km de estrada de terra, às 7:00 e 15:00 - sujeito a confirmação. E como se chega a Lima Duarte? O mais comum são ônibus partindo de Juiz de Fora, mas não conseguimos descobrir com que freqüência. OK, é dura a vida dos onibuseiros, mas o tempo e a paciência lhe farão chegar lá. Pode estar certo de que vai valer a pena.

Ah, você vai de carro? Duas coisas: Ibitipoca não tem posto de gasolina, o mais próximo fica a 26 km, em Lima Duarte. E também não tem banco nem supermercado. Adivinha onde fica o mais perto? Pensamos que pelo menos o Bradesco ia ter uma daquelas mini-agências com um caixa que também é o gerente, mas se nem uma agência dos Correios encontramos, até que tem uma lógica.

Bom, mas duas coisas a cidade de Ibitipoca tem, e bastante: pousadas para todos os gostos e bolsos e lugares para se comer. Se você está querendo convencer aquela namorada desacostumada à vida sob as estrelas a fazer esse roteiro e ainda vai ter de viajar naqueles ônibus que não soubemos informar os horários, considere pular a parte do acampamento dessa vez. Mas só dessa vez. Existem algumas pousadas com chalezinhos e lareira para casal, onde os preços não comprometem o cheque especial. E, à noite, experimente os caldos servidos nos pequenos restaurantes da cidade. Se levar uma garrafa de vinho na mochila, você continuará no caminho certo. Vai ter boa companhia para muitos outros roteiros futuros. Oops, já estamos nos desviando da idéia do roteiro, e isso é toda uma outra história.

Uma observação que pode lhe economizar o engano que nos custou tempo adicional de caminhada: freqüentemente nas trilhas surgem placas indicando as direções dos roteiros e, entre elas, está a palavra "camping". Parecia existir várias áreas de acampamento pelo parque, o que não é verdade. Como a única área de camping fica próxima à entrada, você obviamente deve entender essa placa como a direção que o conduzirá de volta à área da Sede, com o camping a seu lado, ou seja, ao início das trilhas.

Texto: Fernando Andreis


Dicas:
• Ingresso por pessoa custa R$5,00 (maio/02) e é vendido na portaria do parque. Em épocas mais freqüentadas pode também ser comprado na cidade de Ibitipoca, mas o número de visitantes é limitado para evitar grande impacto ambiental na área.
• Se pretende acampar dentro do parque, reserve com antecedência pelo telefone (32) 3281-1101.
• À noite a temperatura cai bastante. Capriche nos agasalhos no inverno.
• Apesar de não estar claramente indicado nos roteiros impressos distribuídos no Parque, é possível caminhar da "Janela do Céu" até a "Cachoeirinha" e de lá até a "Lagoa Seca". Se pretende fazer o roteiro que circunda o Parque, faça esse caminho, sendo desnecessário retornar até a encruzilhada próxima à "Lombada".
• Não custa relembrar: ao ver a indicação "camping" nas placas, entenda como a direção que o levará de volta à sede do parque.
• Você receberá uma sacolinha plástica para lixo na entrada. Não deixe de trazer de volta tudo o que levar, mesmo cascas de frutas e papel higiênico. Na sede do parque existem latões para coleta seletiva.
• Veja na seção DICAS DE USO uma sugestão de itens a serem levados nas caminhadas.
• Detalhes sobre épocas festivas, situação da estrada, clima local, etc.. podem ser obtidas na AMAI (Associação de Moradores e Amigos de Ibitipoca), pelo tel. (32) 3281-8105.

Como chegar:
• A partir de São Paulo: seguir pela BR-381 até o trevo de Campana, seguindo para Caxambu e Juiz de Fora. Entre para Lima Duarte via BR-267 e de lá até Conceição do Ibitipoca. Distância total: cerca de 410 km.
• A partir do Rio de Janeiro: seguir pela BR-040 no sentido Juiz de Fora. Após a entrada de Juiz de Fora, entre na BR-267 para Lima Duarte e de lá para Ibitipoca. Distância total: cerca de 350 km.
• A partir de Belo Horizonte: seguir pela BR-040 na direção de Juiz de Fora. Um pouco antes de Juiz de Fora, entre na BR-267 até Lima Duarte e dali até Ibitipoca. Distância total: cerca de 330 km.
• Observação: em qualquer das opções acima há o trecho Lima Duarte - Ibitipoca. São 26km em estrada de terra, com algumas subidas mais íngremes revestidas de cascalho. Apesar de veículos com tração dianteira (a maioria) exigirem mais do motorista, essa estrada tem estado transitável o ano inteiro.

Onde dormir:
• Camping do parque (32) 3281-1101
• Camping Ibitilua (32) 3281-8167
• Camping Canto das Pedras (32) 3281-8146
• Camping To em casa (32) 3281-8134
• Chalés Vale do Sol (32) 3281-8141
• Pousada do Sossego (32) 3281-8137
• Chalés Repousada (32) 3281-8112
• Pousada Poente (32) 3281-8125
• Pousada Janela do Céu (32) 3281-8118
• Pousada Aldeia das Pedras (32) 3281-8150
• Pousada Serra do Ibitipoca (32) 3281-8148

Grau de dificuldade: leve e semi-pesada (depende da trilha escolhida)
Obs.: O grau de dificuldade é definido por uma escala simples com apenas três “tipos” de caminhada: leve, semi-pesada e pesada. Este grau, como qualquer graduação, é subjetivo mas leva em consideração o percurso, o ganho de altitude em um dia, a distância percorrida, etc. Lembre-se que uma caminhada pode ser pesada mesmo sendo feita em apenas um dia... Bem como pode ser leve, mesmo sendo feita em vários dias curtos e planos...

Mapa : é possível conseguir alguns mapas na entrada do parque.

Leitura Sugerida:
• Livro de Aventura do Excursionista Decidido – Sergio Beck
• Livro de Orientação do Excursionista Perdido – Sergio Beck

Requisitos Necessários para se fazer estas trilhas:
• Conhecimento do local – claro que você não conhece todos os lugares que pretende trilhar. Por isto, estar acompanhado de um guia experiente é fundamental . Tenha certeza de que o grupo possui um mapa e uma bússola e todos sabem usá-lo. E, lembre-se: GPS sem mapa não funciona! (Sem pilhas também não...) Esteja atento aos caminhos (uma trilha nunca é igual na ida e na volta) e não subestime o local.
• Um bom equipamento – certifique-se que você possui um anoraque impermeável, uma boa bota já amaciada, lanterna e pilhas extras etc.
• Preparo físico e psicológico – mais do que estar preparado fisicamente, tenha certeza de que está preparado psicologicamente para as durezas da vida ao ar livre. Carregar uma mochila mal ajustada e pesada pode ser desconfortável para a maioria das pessoas, por exemplo. Mas, se você está preparado psicologicamente, não descuide do físico – ele fará toda a diferença no final de um longo dia!

Material indispensável:
• Mapas e bússola
• Mochila de ataque
• Lanterna com pilhas extras
• Anorak
• Lanche. Procure levar coisas leves e energéticas como castanhas e nozes, frutas secas, biscoitos etc.
• Água – leve pelo menos um litro por pessoa. Durante o verão, leve um litro e meio, no mínimo. (Se for pegar no local, procure tratá-la antes de beber).
• Um agasalho fino, para ser usado embaixo do anorak, embalado em saco plástico, para conservá-lo longe da umidade. Lembre-se que, mesmo estando no Brasil, o frio pode matar (hipotermia).
• Uma boa bota de caminhada, de preferência com o cano alto, para protegê-lo de torções (muito freqüentes quando estamos cansados).
• Boas meias – use uma fina por baixo e outra mais grossa por cima, protegendo seu pé de indesejáveis bolhas (enquanto uma meia roça na outra, o seu pé fica longe dos atritos que causam as bolhas). E, caso elas apareçam, pare imediatamente e faça um curativo, antes que piore.
• Procure usar roupas de tecidos sintéticos como dry fit, tactel, suplex e similares. Eles secam rápido, afastam o suor do contato com o corpo (o que permite fazê-lo sentir-se sempre “seco”) e são muito leves, ideais para qualquer clima.
• Um bom estojo de primeiros socorros – leve apenas aquilo que sabe usar e não esqueça que, mais importante que socorrer, é não piorar o estado da vítima.
• Telefone celular – mantenha-o desligado para não gastar a bateria e, em caso de emergência, tenha em mãos telefones úteis, principalmente o do Parque Estadual do Ibitipoca. Avise ao menos uma pessoa da família ou amigos para onde você está indo, que trilha pretende fazer e quando pretende voltar. Em caso de resgates, estas informações serão valiosas...

Lembre-se:
• Esteja acompanhado de guias experientes e pessoas conscientes . Só o tempo e a exaustiva repetição dos procedimentos de segurança te farão um experiente montanhista. Não existem cursos que ensinam o que a vivência e o tempo fará...
• Tenha mapas da região e bússola mas tenha certeza de que sabe usá-los corretamente!
• Prepare a mochila corretamente.
• “Não deixe rastros” – procure não deixar indícios da sua passagem pelas montanhas e, se possível, leve isto às últimas conseqüências... Assim, tudo o que você levou, traga de volta!
• Não deixe de trazer inclusive as cascas de frutas e papel higiênico usado, pois eles também poluem, inclusive visualmente – mesmo sendo biodegradável. Além do mais, no caso das frutas, você poderá estar introduzindo espécies que não pertencem ao ecossistema por onde você está passando.
• Trate a água que for beber.
• Não ande fora das trilhas e evite ao máximo os atalhos. Eles provocam erosão...
• Não faça muito barulho.
• Se alguém não tem experiência no grupo, seja responsável também pela formação desta pessoa, ensinando-a regras de ética e boa conduta no mato.
• Saiba como proceder em caso de tempestades elétricas – muito comuns principalmente no verão e, claro, extremamente perigosas.
• A aventura não está em sair de casa desprevenido, mas em voltar com segurança!
• Ajude a preservar o que é de todos, para que dure muitos anos mais...
• A Pedal Center não se responsabiliza por alterações na trilha ocorridas depois da publicação deste roteiro. A exatidão dos pontos de referência era a melhor possível por ocasião da publicação, mas não implica em responsabilidade de nossa parte quanto`a exatidão. Informe-se ANTES de entrar na trilha.
• Utilize este roteiro como fonte de inspiração mas não como única fonte de informação.

• Boas Trilhas...